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…e viveram felizes para sempre… só que nÃo

02.10.2013

Não é de hoje que famílias mudam sua constituição estrutural por consequência social. As composições familiares mudam ao longo do tempo, da História, das condições, das conjunturas etc. No entanto, percebo ganhar cada vez mais força essa tal exigência por famílias ideais. Quando falamos nesse assunto, devemos superar aquela concepção falsa de banco de imagens que estampam nossas revistas ou folhetos, com famílias “perfeitas” compostas por pai, mãe, um casal de filhos lindos, com dentes indefectíveis – a famosa família “Doriana”, sabe?

Temos que nos abrir para a realidade das famílias que têm de aprender a viver sob outra lógica, lares em que a mulher é arrimo, casas em que o irmão mais velho tem de assumir o papel de pai tão prematuramente, famílias estão vivendo pela metade por conta do crime, pelo crack, pela exploração sexual. Essa é a realidade em que vivemos. E temos de parar de fingir que não vemos.

Quando Jesus disse ‘no mundo tereis aflições’. Não era uma frase de efeito ou apenas para quem se comportasse mal, como um castigo – que coisa mais infantil! Ele disse porque, de fato, temos aflições na vida. E não são aflições de contos de fadas, em que, no final, o príncipe salva a princesa, os dois se casam, têm filhos e vivem felizes para sempre. ‘A vida é real e de viés’ escreveu um cantor e compositor importante da música brasileira. A vida é real, sim, com pessoas reais e problemas.

Por isso, se faz necessário fazer a distinção entre imperfeição e falta de afeto. Não é porque não é perfeito que o afeto não existe. Aliás, está escrito que “o amor encobre uma multidão de transgressões”, ou seja, só o amor cobre as nossas falhas, as nossas faltas, as imperfeições das nossas relações. É por essa razão que famílias sobrevivem aos dramas sociais que mencionamos, porque o amor sobrepuja suas condições.

Realidades como essa são mais do que corriqueiras, são cotidianas e estão longe de ser contos de fadas. Príncipe ou cinderela? De jeito nenhum! Agora, sapo e gata borralheira tem de monte.  O grande final? Bem, você não vai esperar que seja um final feliz, né? Mas por que não? Pode ser, sim! Como disse, tudo depende da nossa ótica, da maturidade, da expectativa, do afeto e do amor. Sendo assim, você decide o final.  
 

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